Formado por ex-integrantes do Doors, o grupo norte-americano Riders on the Storm fez show lotado para 2.400 pessoas nesta quinta (10) no HSBC Brasil, em São Paulo. Capitaneada pelo tecladista Ray Manzarek e o guitarrista Robbie Krieger, a banda já tocou no Brasil em 2004 com o nome The Doors of the Twentieth Century e toca o repertório clássico do grupo The Doors, liderado pelo vocalista Jim Morrison, morto em 1971.
Acompanhados pelo baterista Ty Dennis, o baixista Phil Chen e o vocalista Bret Scollin, os músicos entraram no palco às 22h20, ao som do tema instrumental da ópera “Carmina Burana” e iniciaram o show com “Love Me Two Times” e “Strange Days”, mostrando um repertório levemente diferente do apresentado na ocasião da primeira visita ao país, com o líder do Cult, Ian Astbury, nos vocais.
Vale lembrar que o grupo não usa mais o nome The Doors of the Twentieth Century devido uma batalha entre Manzarek e Krieger com o ex-baterista do Doors, John Densmore, e a família de Morrison. A decisão judicial interditou o uso do nome, permitindo apenas menção a “membros do grupo The Doors”.
Músicos de primeira grandeza, o trabalho de Manzarek e Krieger enfatiza ainda hoje as razões da sonoridade ímpar do Doors. Porém, eles não se restringem à mera execução de seus temas clássicos e os atualizam com referências sonoras posteriores ao auge da banda nos anos 60, mas nada que descaracterize o legado do grupo. Por exemplo: o atual equipamento de Manzarek possibilita recursos sonoros distintos ao que usava anteriormente e, em “When the Music is Over”, o guitarrista Krieger faz solo usando a técnica tapping, que só seria popularizada por Eddie Van Halen nos anos 80.
O show segue com “The Changeling”, com citação de “Sunshine of Your Love” (do Cream) e dois temas do álbum “Morrison Hotel” (1970): “Peace Frog” e “Blue Sunday”, esta última uma das baladas mais bonitas do repertório do Doors, fielmente executada pela atual encarnação do grupo.
Os músicos apresentaram sua famosa releitura para “Alabama Song”, tema composto nos anos 20 por Bertold Bretch e Kurt Weill e eternizado na estréia epônima do Doors em disco (1967). Um “Jim Morrison” louro com pinta de surfista, Scollin galanteou a farta presença feminina na platéia, declarando que as mulheres brasileiras são as mais belas do mundo, antes de a banda atacar com “Gloria”, clássico do grupo irlandês Them e uma das releituras mais populares do grupo nos anos 60.
O novo cantor obviamente não pode ser comparado ao antigo líder, poderoso ícone pop e um dos artistas mais transgressores da história do rock, tanto em âmbito comportamental quanto artisticamente. Porém, se Scollin não chega a convencer no papel de Morrison, assim como foi a participação de Eddie Vedder (Pearl Jam) no show do Doors no Hall da Fama do Rock em 1993, sua presença no palco torna mais homogêneo o fluir do roteiro do espetáculo — ao contrário da pregressa contribuição de Astbury junto ao grupo: indeciso entre a reverência a uma de suas maiores influências e sua própria identidade artística.
Depois é a vez do momento solo de Krieger e Ray Manzarek atenta às influências flamencas de música e o apresenta como “Roberto Krieger”. Com um violão elétrico com cordas de nylon, o músico improvisa um tema instrumental inspirado em “Spanish Caravan” e canta a obscura “No me mileste mosquito”, acompanhado por uma leve percussão de Manzarek. Quando a banda inteira retorna ao palco, os músicos finalizam uma bela versão de “Spanish Caravan”, um dos temas mais legendários de suas apresentações nos anos 60.
Ty Dennis faz um rápido solo de bateria antes de o grupo tocar “Touch Me”, dedicada por Manzarek ao rei do soul James Brown. O solo do saxofonista Curtis Amy eternizado na versão em disco é preenchido por improvisos do tecladista. Na seqüência, o Riders on the Storm tocou “L.A. Woman” e fez uma rápida pausa às 23h30.
Vestido com uma camiseta em homenagem aos anos 78 anos da Vai-Vai, Scollin logo retorna ao palco, acompanhado pelos demais integrantes e os ritmistas da escola de samba. E juntos, fazem uma versão “Break on Through (to the Other Side)”, com maior ênfase percussiva. Os ritmistas saem de cena e o grupo apresenta “Soft Parade”, um dos épicos mais delicados do Doors em disco. O início da música foi um dos momentos em que o Riders on the Storm mais soou fiel à sonoridade da antiga banda em disco, até o retorno dos ritmistas da Vai-Vai, desta vez com uma recatada e apropriada participação, sem sobrepujar o som do quarteto.
Os músicos encerram o espetáculo de pouco depois da meia-noite com o sucesso “Light My Fire” e a atual excursão do grupo pelo Brasil reafirmou que, se não condiz ao impacto da experiência de uma apresentação do Doors nos anos 60, é como um jogo de futebol de craques veteranos. Pois ainda que não tenham o mesmo vigor de antes, Manzarek e Krieger tocam com muita classe e justificam toda a fama com a qual se notabilizaram na história da música pop há mais de quarenta anos.
Fonte: UOL











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2 usuários respondeu a este post
Aeee
nos vemos lá…
\O/
Eu fui e tava muito massa!!! imperdível!!!
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